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Aves: Prolapso de cloaca

March 22, 2019

A cloaca é uma estrutura presente nas aves, como uma bolsa, na qual desembocam o sistema renal, o reprodutivo e por fim o gastrintestinal. Está presente tanto em machos quanto fêmeas. Diferente dos mamíferos que separam a parte reprodutiva e renal do sistema gastrointestinal, as aves se caracterizam por uma única saída (orifício), caracterizada pela cloaca.

 

O prolapso de cloaca consiste no deslocamento da cloaca para fora de sua posição anatômica pela eversão (reviramento de dentro para fora) e exposição desta bolsa ao meio externo. Lembrando que pode acometer ambos os sexos. Ocorre quando os tecidos internos da cloaca se projetam para fora da abertura. Pode ser persistente (a eversão é permanente) ou temporário (a eversão ocorre em determinados momentos ou de acordo com a respiração da ave).

 

Foto abaixo de prolapso de cloaca em uma ararajuba. Atenção para as penas sujas de sangue próximas ao prolapso.

 

 

É uma condição séria que pode levar a outras complicações. Muitas vezes, as aves que sofrem de prolapso cloacal comportam-se normalmente no início do problema, tornando difícil para os proprietários perceberem que existe um problema.

 

ATENÇÃO: Este problema requer intervenção veterinária imediata para colocar a cloaca de volta no lugar correto e evitar complicações.

 

Aspectos comportamentais e físicos podem contribuir para que o seu pássaro force a cloaca. Alguns dos possíveis fatores que predispõem ao problema:

  • Tenesmo ou dificuldades para defecar

  • Uma conexão forte com seus tutores

  • Aves alimentadas à mão tendem a ser mais suscetíveis ao prolapso cloacal (em especial cacatuas alba e das molucas). Aves que não foram criadas ou alimentadas manualmente por seres humanos raramente são afetadas pelo prolapso cloacal.

  • Distocias e ovo retido

  • Masturbação e frequente estímulos sexuais.

  • Em casos avançados: respiração ofegante, anorexia, penas eriçadas e apatia severa

 

Os sinais clínicos, além da visualização da cloaca evertida, envolvem dor, automutilação, presença de sangue nas fezes, penas próxima sujas de fezes e/ou sangue, bico sujo de fezes, dificuldade para defecar (em alguns casos o animal chega a vocalizar durante o ato), odor desagradável.

 

Exames físicos diários da ave são necessários para diagnosticar e tratar rapidamente qualquer doença.

 

ALIMENTAÇÃO E TUTORES

 

O desmame tardio das aves criadas à mão leva a uma maior tendência de prolapso da cloaca. Isso geralmente acontece porque a ave ficará extremamente apegada a com quem faz a alimentação, passa então a reconhecer essa pessoa como pai ou mãe, e tende a segurar as fezes por um longo tempo (durante a noite toda por exemplo) o que gera estiramento da musculatura da cloaca pelo acumulo de fezes.

 

Manter a ave por longos períodos comendo papa pode criar atração sexual equivocada em relação ao seu tutor e com isso estímulos sexuais que podem forçar a cloaca.

 

Ficar vocalizando de maneira excessiva pedindo por comida também pode gera esforço e sobrecarregar a cloaca da ave, se isso ocorrer com frequência pode levar ao prolapso.

 

Abaixo uma cacatua alba apresentando prolapso de cloaca. Note as penas próximas a região completamente sujas de fezes e secreções

 

 

É necessário levantar o histórico médico da ave e um exame físico completo em conjunto com exame completo da cloaca. A ave precisa ser colocada sob anestesia geral para que o exame seja feito de maneira completa e segura.

 

Outros testes que podem ser realizados para determinar se há alguma causa subjacente do prolapso cloacal incluem hemograma completo e bioquímica, radiografias, ultrassonografias, exame endoscópico, exames virais, exame de fezes e cultura bacteriana/fúngica.

 

TRATAMENTO

 

O primeiro passo em qualquer tratamento do prolapso cloacal é avaliar o tecido prolapssado, para avaliar possível necrose e lesões. Neste processo a ave deve ser anestesiada e o prolapso lavado com soro morno para a correta visualização de todas as estruturas.

 

Quando o prolapso envolve somente a cloaca (bolsa) não envolvendo o reto (intestino) ou oviducto (no caso de fêmeas) o prognostico é melhor. Caso envolva partes do intestino ou oviducto o caminho correto é a cirurgia, onde o prolapso deve ser corrigido por dentro da cavidade celomática.

 

O prolapso somente da cloaca pode ser corrigido com suturas temporárias no orifício da cloaca evitando uma nova eversão após a correção do problema. Isso permitirá que a inflamação diminua e que os antibióticos funcionem sem que seu pássaro cause danos adicionais, empurrando a cloaca para fora.

 

Casos recorrentes de prolapso devem passar por um procedimento mais complexo onde a parede da cloaca deve ser suturada junto a parede “abdominal” e assim criar uma aderência que evitará uma nova eversão. Este procedimento serve apenas para corrigir o prolapso de cloaca e não serve para quaisquer causas subjacentes.

 

PAPILOMAS E CÂNCER.

 

Muitas vezes um papiloma ou câncer na parede da cloaca pode ficar exposto e ficar muito parecido com um prolapso de cloaca, daí a importância de sedar e lavar o local para a correta identificação das estruturas antes de qualquer procedimento.  A imagem abaixo é de papiloma intra-cloacal em uma arara vermelha.

 

 

O uso de radiocirurgia, criocirurgia, cauterização química, eletroquimioteapia ou cirurgia a laser é necessário para remover possíveis nódulos ou papilomas de maneira segura.

 

PROGNÓSTICO

 

O sucesso do tratamento dos prolapsos de cloaca depende muito da detecção precoce e tratamento adequado (do prolapso em si e/ou das causas subjacentes).

 

Sinais de necrose do tecido ou lacerações são um agravo e podem comprometer a sobrevida da ave, dependendo da extensão a eutanásia infelizmente acaba sendo a única saída para o animal não sofrer até o fim. Por isso há a necessidade de ser sistemático e realizar exames físicos diários na ave afim de detectar quaisquer problemas assim que surgirem.

 

Se acaso a ave tiver sofrido prolapso da cloaca influenciada pela ligação ao tutor, é necessário romper parte da ligação que se formou. Um vínculo muito próximo pode ser prejudicial para a saúde geral da ave. Para quebrar parte o vínculo, o tutor não deve acariciar a ave nas costas, alimenta-la ou afaga-la perto do corpo.

 

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