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Quando o amor é pior que a doença

January 19, 2019

 

 

Esse é um tema sobre o qual sempre quis escrever, mas trata-se de um assunto tão delicado que há a necessidade em estar em um dia muito inspirado para poder decorrer sobre o tema sem soar insensível. Então desde já peço desculpas caso alguém se sinta ofendido com o tema, afinal não é esse meu objetivo aqui.

 

Quero que as pessoas apenas pensem e se certifiquem que seu cuidado esteja ajudando e não prejudicando ainda mais o animal. O chamado “overcare” ou cuidado em excesso.

 

Todos sabemos que cuidar é "amor em ação". É a capacidade de cuidar dos seres humanos e outras criaturas vivas que amamos. É a expressão materializada do “amor”, que é maravilhoso de se ver. Mas atenção esse “amor” quando praticado cegamente em excesso pode machucar e até matar.

 

Por isso é de grande importância equilibrar os cuidados que sentimos ou experimentamos pelos animais, familiares e outros em nossas vidas. Você pode se perguntar: - Porque preciso equilibrar a minha forma de cuidar? Afinal, isso é ilimitado tanto quanto o amor que sinto?

 

Sabemos que isso é uma verdade para muitas pessoas, mas não é raro que alguns de nós levem esse “cuidado” para o excesso.

 

Quando o cuidado que damos a um animal ou a um projeto causa ansiedade, culpa, raiva ou uma sensação de esgotamento é sinal de advertência para o que chamamos de “excesso de cuidado”.

 

É o que acontece quando o “cuidar” passa a “drenar” a energia de quem cuida e prejudica também a quem está sendo cuidado. Infelizmente quando falo sobre sobre cuidados com animais temos vários exemplos desse “amor” que prejudica.

 

Este “ciclo de drenagem” levam as pessoas a se tornarem "obsessivas".

 

Por exemplo, não é incomum encontrar pessoas que resgatam e cuidam animais de rua, um gesto nobre e louvável sem nenhuma dúvida, torço para que cada dia haja mais pessoas assim no mundo. Mas... o que acontece se esta pessoa passa a acumular um número de animais que vai além de suas capacidades (de espaço físico, mental e financeira)?

 

O que se encontra no fim desses casos é simplesmente o caos, como resultado temos o acumulo de animais sem comida, abrigo ou cuidados básicos suficientes, morrendo aos poucos sob a tutela de quem os “ama”.

 

Outro exemplo comum na minha rotina profissional são aqueles tutores que deixam de alimentar ou até mesmo medicar corretamente seus animais por “dó”.

 

É comum ver clientes refutando a mudar a dieta de seu animal porque acha que ele vai sofrer, culminando em animais obesos, cheios de problemas de saúde e consequentemente “sofrendo”.

 

Há clientes que deixam de medicar, acreditando que a medicação estressa muito o animal, e que também se recusam a internar o animal em situações graves, querendo cuidar em casa mesmo com o grande risco do animal vir ao óbito sem cuidados intensivos (logicamente não estamos considerando os motivos financeiros aqui).

 

Anos atrás atendi um pequeno jabuti, que estava magro e sem comer já haviam alguns dias. Como protocolo de tratamento nestes casos colocamos uma pequena sonda no esôfago do animal, onde conseguimos administrar alimentos além da medicação com o mínimo de estresse, um procedimento rápido, simples e praticamente indolor.

 

Eis que então, para minha surpresa, a tutora reclamou e exigiu a retirada da mesma, alegando que não iria fazer o animal “sofrer” com "aquilo". Fui obrigado a remover a sonda mesmo explicando que aquilo não traria sofrimento ao animal, que seria mais prejudicial deixa-lo morrer de fome e sem medicação.

 

Há outros tipos do “cuidar em excesso”, há tutores que ficam tão ansiosos/deprimidos quando seus animais ficam doentes que acabam agravando a situação, literalmente não deixam o animal descansar. Alguns passam a pesar o animal varias vezes ao dia, outros passam a noite inteira verificando se o animal está dormindo ou não (com isso nem o tutor nem o animal conseguem dormir). Toda essa agitação dentro de casa quebra a rotina, gerando um estresse desnecessário que prejudica ainda mais a recuperação e promove até mesmo a piora do quadro.

 

Um outro ponto que vale pelo menos uma rápida reflexão é sobre a eutanásia (não estou aqui defendendo nem que sim, nem que não, estou tentando apenas citar um ponto de vista técnico).

 

Nós humanos quando estamos sofrendo com alguma doença terminal não temos a opção de eutanásia no Brasil, mas temos o que é chamado de “cuidados paliativos”, que muitas vezes se resume em dopar ou colocar a pessoa no que chamamos de “coma induzido” aguardando pelo desfecho da doença, sem que a pessoa tenha que agonizar com dor e sofrimento até o fim.

 

Em animais, isso muitas vezes não é possível, sendo assim quando o tutor opta por não fazer a eutanásia o animal é "obrigado" a passar os últimos momentos da vida sofrendo com todos os males da doença (dor, fome, falta de ar, etc). Ai eu pergunto: - Será que isso é “cuidar”, uma vez que se sabe que o quadro é irreversível? Pense que “você pode condenar o animal a morte, mas também pode condená-lo a uma vida de sofrimentos.”

 

Voltando ao tema central, é importante identificar essa emoção fora de propósito, prestar atenção se ela ofusca nosso objetivo principal que é “cuidar bem” do animal, do próximo e de nós mesmos.

 

Curiosamente, quando o excesso de cuidado existe em uma área, geralmente resulta em falta de cuidado em outra área. "É como apertar um balão em uma extremidade para que ele aumente do outro lado. É essa falta de “equilíbrio” causa muito mais “dor” do que alento.

 

Logicamente há aqueles que sentem tranquilos e conseguem “cuidar” de maneira equilibrada, então nunca deixe de se importar, pois cuidar de quem precisa é uma das grandes alegrias e recompensas da vida.

 

Algumas dicas para conseguir agir de uma maneira melhor:

 

Passo 1. Esteja ciente de como você se sente sobre o assunto em questão.

 

Passo 2. Centralize-se respirando fundo por alguns minutos focando o problema. Nunca haja no calor da emoção.

 

Passo 3. Assuma objetividade sobre o sentimento ou problema, como se fosse problema de outra pessoa, analise suas atitudes e pondere sobre até que ponto elas podem realmente ajudar o seu animal.

 

Passo 4. De forma objetiva e focada faça o que for necessário para a melhora do animal, seja medicar, mudar a dieta e evitar algumas manias. Um "sofrimento" temporário se justifica para um futuro melhor.

 

Passo 5. Lembre-se que exageros são sempre prejudiciais.

 

Passo 6. Relaxe sobre quaisquer sentimentos perturbadores ou medos. É lógico que estes sentimentos não vão desaparecer, mas o importante é que eles não roubem o seu foco.

 

Passo 7. Faça o possível pela a recuperação do seu animal, mesmo aquilo que não é agradável (não adianta entupir o animal de antibiótico se você tem “dó” de limpar a ferida contaminada por exemplo). Se você não consegue fazer curativo ou medicar interne o animal ou peça ajuda de alguém que consiga.

 

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