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CHECK-UP: Vírus de importância em psitacídeos

January 28, 2019

 

 

O diagnóstico dos vírus abaixo listados deve fazer parte da programação básica de check-ups rotineiros de suas aves, principalmente para aquelas recém adquiridas. Pois muitas vezes o controle e até mesmo a possível cura está diretamente relacionada com um diagnóstico preciso e precoce da doença.

 

É praticamente obrigatório a realização destes testes em aves novas, recém adquiridas, no período de quarentena, antes do contato com as outras aves de casa ou plantel, não interessa de onde veio ou quão idôneo seja o vendedor/criador. Muitos desses vírus podem se espalhar rapidamente e causar a morte de diversas aves repentinamente, causando dor e até mesmo prejuízos financeiros.

 

ATENÇÃO: O período de quarentena sempre deve ser respeitado e durante o mesmo nunca deixe de realizar exames complementares, pois muitas doenças podem passar até anos adormecidas antes de causarem problemas.

 

  • TIPO DE EXAME REALIZADO

Há dois métodos comumente utilizados para o diagnostico destes vírus: A sorologia (que utiliza um exame chamado ELISA) que testa o sangue da ave, procurando mensurar a reação imunológica e a produção antígenos específicos, e o teste genético através do exame chamado de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) que detecta a presença de um fragmento de DNA/RNA específico do vírus no corpo ou nas secreções do animal.

Infelizmente, no Brasil não há laboratórios comerciais que realizem de rotina o exame sorológico (ELISA) para estes vírus, por ser um exame com maior custo e mais delicado para ser realizado.

Para triagem rotineira é feito o uso da PCR. Com isso é importante frisar que para cada tipo de vírus há um tipo de amostra mais confiável (penas, swabs, fezes, lavado traqueal ou sangue). Um único tipo de amostra (fezes por exemplo) não serve para o correto diagnostico de várias doenças, infelizmente isso é uma doce ilusão vendida por muitos laboratórios.

Somos contra os famosos “kits de diagnostico” com o diagnóstico de vários tipos de doenças (bactérias, vírus e fungos) feitos com um único tipo de amostra. Isso é um erro e prejudica a confiabilidade do resultado. Exames com grande probabilidade de erro geram um grande número de resultados FALSOS NEGATIVOS que só ajuda na propagação das doenças!

 

  • RESULTADOS ESPERADOS

Dentro do exame de PCR, comumente realizados, só cabem resultados do tipo positivo ou negativo. Trata-se de um exame qualitativo e não quantitativo por isso não existe resultado meio termo (não há levemente positivo, infecção parcial, leve ou inicial). Desconfie do laboratório que libere um resultado assim e refaça a coleta.

 

  • FALSO POSITIVO

Há poucas razões para ocorrer um falso positivo e todas elas se resumem à contaminação da amostra, no momento da coleta ou no laboratório. Se o laboratório é idôneo e as coletas foram feitas corretamente, positivo é positivo.

 

  • FALSO NEGATIVO

Falsos negativos em geral ocorrem por problemas na coleta, no tipo de amostra, na conservação da amostra ou transporte. Lembrando que cada vírus tem suas particularidades, uns são encontrados em fezes outros nas penas ou no sangue, sendo assim um único tipo de amostra não serve para diagnosticar corretamente todos os vírus, isto é um erro básico que deve ser evitado, coletando-se vários tipos de amostras ao mesmo tempo.

Outro ponto importante é a liberação intermitente destes vírus Não há uma regra e depende muito do momento da coleta, há dias em que a ave esta liberando o vírus e em outros não, para evitar isso é recomendado realizar varias coletas em dias alternados e mesmo assim ainda se corre o risco, pequeno é claro,  de que as coletas sejam feitas justamente nos dias em que determinado vírus não está sendo liberado...

 

  • COLETA DE AMOSTRAS

Recomendamos como padrão três coletas de três tipos de amostras que devem ser realizadas em dias alternados. Esse padrão de coleta possibilita a correta utilização do exame de PCR onde o risco de um falso negativos é minimizado.

Novas pesquisas confirmam que coleta de fezes do fundo da gaiola não são confiáveis, principalmente para vírus do tipo RNA, devido à possibilidade de o vírus ser destruído por bactérias, enzimas e outros contaminantes encontrados nas fezes. Isso resulta em uma porcentagem inaceitável de falsos negativos por PCR.

A irresponsabilidade de muitos proprietários, criadores, lojistas e laboratórios tem contribuído para um grave aumento das doenças virais nas aves. Não adianta realizar coleta de amostras sem critérios, pois isso aumenta o número de falsos negativos, gerando uma falsa sensação de segurança aos tutores e consequentemente disseminando estas doenças. O barato e mais fácil pode sair muito caro.

 

  • LIMITAÇÕES DO EXAME

Como com qualquer teste genético, novas mutações podem ocorrer no genoma viral que poderiam afetar o ensaio. Portanto, pode ser difícil detectar todos os subtipos. A realização de várias coletas corretamente efetuadas desempenha um papel fundamental na precisão geral do teste, portanto, aconselhamos que as coletas sejam realizadas por nossa equipe.

 

  • O QUE FAZER COM UMA AVE POSITIVA

Uma vez confirmado o diagnostico, o melhor a fazer nestes casos é a eutanásia da ave. Uma doença viral é de difícil controle e pode se espalhar rapidamente, utilizando até mesmo você como carreador da doença para outros animais. Com exceção de algumas doenças virais (New Castle por exemplo), não há lei que obrigue a eutanásia de seu animal, mas é uma questão de responsabilidade e ética, pois ao manter a ave positiva, você está contribuindo para que a doença se perpetue e espalhe, podendo prejudicar aves de amigos, vizinhos e aves de vida livre, ajudando a destruir o pouco que ainda resta.

Caso ignore a possibilidade de que você está ajudando a espalhar a doença e prejudicando outros animais, você tem a obrigação de isolar da melhor maneira possível a ave positiva e não a deixar próxima ou ter contato com outras aves. Não se esqueça que você pode atuar como o transmissor do vírus, através de suas roupas e objetos que certamente vão se contaminar ao longo do tempo.

Se você é realmente um amante das aves pense com cuidado e responsabilidade.

 

1 - HERPESVÍRUS

 

Há vários tipos de herpesvírus que causam doença em aves, cada tipo específico para um grupo de aves (os que acometem galinhas, perus, rapinantes, papagaios, pombos, patos). Os herpesvírus têm 120 a 220 nm de diâmetro e seu genoma tem uma estrutura de DNA de fita dupla, envelopado. O vírus se multiplica no núcleo da célula do hospedeiro. Infectam primariamente o tecido linfático (células B ou T), a pele (células epiteliais) e as células nervosas (neurônios).

O vírus é liberado pelas fezes e descarga nasal de uma ave infectada em apenas 3-7 dias após a infecção. Considerado altamente contagioso, pode se espalhar rapidamente por um aviário em poucos dias. Muitas vezes, o primeiro sinal de que a doença está presente é quando uma nova ave é introduzida em um grupo de aves e repentinamente pássaros saudáveis ​​começam a adoecer misteriosamente.

 

TRANSMISSÃO

A transmissão do vírus ocorre geralmente através de fezes infectadas, secreções nasais ou objetos infectados. O vírus permanece estável fora do corpo do hospedeiro, no ambiente misturado com poeira, fezes e secreções secas. Esta poeira (fezes ou secreções ressecadas) ou aerossóis contaminam o ar, que é então inalado por outra ave. Superfícies contaminadas, alimentos e água potável também podem contribuir para a propagação da doença.

Tal como acontece com muitas outras doenças virais, a transmissão vertical da mãe para o embrião também é possível e está sendo pesquisada.

Algumas aves podem ser portadoras assintomáticas do herpesvírus. Alguns acreditam que qualquer ave que sobreviveu a um surto desta doença deve ser considerada como um possível portador. O Herpesvírus pode ser reativado quando a ave está sob estresse, como durante a reprodução, a perda do parceiro ou mudanças no ambiente. Uma vez reativado, o vírus é liberado em grande número nas fezes do pássaro infectado.

 

SINTOMAS

Os sintomas incluem letargia, diarréia, penas eriçadas, sinusite, anorexia, falta de ar, perda de voz, conjuntivite e tremores no pescoço, nas asas e nas pernas. Há também relatos da ocorrência de papilomas em trato gastrintestinal e tumor de fígado.

O material fecal pode ficar descolorido, com os uratos tornando-se verdes, indicando que possíveis danos no fígado ocorreram. As aves geralmente morrem de necrose maciça do fígado, caracterizada por aumento do fígado, baço e rins. No entanto, alguns pássaros morrem repentinamente sem sintomas específicos ou visuais.

Aves aparentemente saudáveis ​​muitas vezes morrem rapidamente da doença. O estresse associado à realocação, reprodução, perda de acasalamento ou mudanças climáticas podem ativar o vírus e resultar na ativação da doença e seus sintomas, bem como na eliminação de grande número do vírus nas fezes e secreções.

 

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é confirmado por testes de PCR para o DNA de Herpesvírus Aviário específico. Nota: Os resultados de exames por PCR de aves para este e outros vírus podem ser afetados pela disseminação intermitente do vírus, por isso é recomendável mais de uma coleta de amostras intercaladas.

Algumas aves infectadas com o vírus são positivas, mas nunca mostram sinais clínicos. Outras aves que testam positivo podem desenvolver uma resposta imunológica suficiente para combater a infecção e testar negativo após 30 a 90 dias. Portanto, recomenda-se testar novamente todas as aves positivas para AHV 60 a 90 dias após a conclusão do teste inicial. Se a segunda amostra permanecer positiva, a ave deve ser considerada permanentemente infectada e pode-se esperar que mostre os sintomas clínicos da doença, e passe a liberar o vírus no ambiente.

 

DOENÇA DE PACHECO

O tipo de herpesvírus que afeta os psitacídeos, também conhecido com Doença de Pacheco, foi observado pela primeira vez na década de 1930 em psitacídeos. Os psitacídeos do Novo Mundo (das Américas) parecem ser mais suscetíveis à Doença de Pacheco do que os psitacídeos do Velho Mundo (Europa, Austrália, Ásia e África).

Sabe-se que estresse ou queda de imunidade parece desencadear a doença em um portador anteriormente assintomático ou aumentar a suscetibilidade de se infectar com o vírus.

Normalmente, a Doença de Pacheco é transmitida pelo contato direto, fezes e secreções. Também por contato com alimentos contaminados e água. Há a possibilidade de transmissão aérea. O vírus pode ser contraído a partir de um pássaro obviamente doente, bem como de portadores, que parecem assintomáticos, mas que liberam o vírus no ambiente. Exemplos de espécies comumente vistas como portadores e parecem ter uma resistência ao vírus incluem jandaias, pionus e ararinhas, no entanto, qualquer ave que se recuperar da doença de Pacheco pode se tornar uma portadora.

O período de incubação da doença de Pacheco é de 3-14 dias. Infelizmente, o sintoma mais comum é a morte súbita, e nestes casos o diagnóstico é confirmado na necropsia. Outros sintomas podem incluir diarréia com rápida progressão para a morte em 48 horas, regurgitação, uratos amarelo-esverdeados e sinais agudos do sistema nervoso central, como tremor, desequilíbrio ou convulsões.

 

TRATAMENTO PARA A DOENÇA DE PACHECO

É considerada intratável por causa de seu início súbito e morte rápida. Existe algum sucesso com tratamento antiviral, o que não cura a ave e a transforma em portadora, espalhando o vírus para outras aves. Existe uma vacina (não comercial); no entanto, seu uso não é recomendado por causa dos efeitos colaterais (formação de granulomas e risco de paralisia).

O melhor caminho é o total isolamento das aves positivas e a eutanásia (infelizmente).

 

2 - BORNAVÍRUS AVIÁRIO (Doença da Dilatação do Próventrículo)

 

Um tipo de bornavírus é o agente causador da Doença da Dilatação do Próventrículo (PDD), é um vírus de RNA de cadeia negativa, envelopado e neurotrópico (preferência por infectar células nervosas). Há outros vírus neurotrópicos comumente conhecidos como o vírus da raiva e o vírus do herpes.

A bornavirose foi reconhecida pela primeira vez em 1885 em cavalos de cavalaria na cidade de Borna, na Alemanha. Há vários tipos de bornavírus na natureza, com isso consegue acometer uma ampla gama de hospedeiros, incluindo aves, cavalos, gado, ovelhas, cães e raposas. Em 1995, o vírus foi isolado de gatos que sofriam de uma "doença impressionante". Em 2000, um pesquisador sueco isolou bornavírus de aves selvagens, incluindo patos e gralhas. Também foi encontrado em fazendas de avestruz na Austrália.

Em quase todas as espécies os bornavírus acometem o sistema nervoso central dos animais e essa infecção pode ser expressa em graus variados, desde alterações comportamentais leves até doença neurológica grave.

O bornavírus que acomete psitacídeos foi descrito pela primeira vez em 2008 por pesquisadores que estudavam um grupo de cinco papagaios que sofriam de doença de dilatação próventricular (PDD). Usando a tecnologia de microarray, o grupo isolou um vírus de RNA de fita negativa em três das cinco aves. Este vírus foi determinado como membro da família Bornaviridae. Os pesquisadores nomearam a cepa aviária Bornavírus Aviário (ABV).

Nas aves, o vírus descrito provocava inflamação intensa no próventrículo (estomago glandular das aves), ventrículo (estomago mecânico) e áreas do intestino delgado com a presença maciça de infiltração de linfócitos no tecido destes órgãos. Como resultado, as aves se tornam incapazes de digerir os alimentos adequadamente. Ao mesmo tempo demonstram fome (comendo exageradamente) e perda de peso continua.  

Em algumas aves com PDD, a parede do próventrículo fica fina de tão dilatada e pode romper-se com facilidade, causando morte em poucas horas.

Pesquisas sugerem que o Bornavírus Aviário desempenha um papel fundamental no aparecimento da Doença da Dilatação do Próventrículo (PDD) em aves. Alguns laboratórios já testaram mais de 5000 amostras de aves e confirmaram bornavirose em mais de 500 casos de aves sofrendo com a dilatação do próventrículo. No entanto, ainda existe também um grande número de aves positivas para ABV, mas saudáveis, sem desenvolver quaisquer sinais clínicos de PDD, o que indica que possuir o vírus não necessariamente leva a doença, mas torna o animal suscetível.

Geralmente as aves portadoras de bornavírus podem desenvolver a doença (sinais neurológicos e/ou dilatação do próventrículo) após uma queda na imunidade, que pode ser causada por diversos fatores, principalmente por estresse (reprodução, muda de pena, transporte, frio, entre outros).

 

TRANSMISSÃO

A transmissão do Bornavírus Aviário não é bem compreendida. Primariamente transferido de um indivíduo para outro através de contato direto ou íntimo, ou por exposição à secreções e material fecal infectado. Também é possível a transmissão vertical (de uma fêmea infectada para os ovos).

 

SINTOMAS

Sinais clínicos sugestivos de bornavirose aviária incluem: perda de peso progressiva apesar de um bom apetite, presença de alimentos não digeridos nas fezes, vómitos, distensão abdominal, impactação do inglúvio (papo), dilatação do próventrículo.

Os sinais neurológicos incluem agitação intermitente da cabeça, empenamento feio ou destruído, automutilação, incoordenação motora, gemidos, alterações de comportamento e convulsões. Alguns ou todos esses sinais podem ou não estar presentes.

ATENÇÃO: Em muitos casos, as aves infectadas com bornavírus não desenvolvem nenhum sinal clínico durante anos ou mesmo décadas. Ainda não se sabe qual porcentagem de aves que pode nunca desenvolver sintomas da doença, mas mesmo não ficando doente pode continuar a funcionar como um reservatório e passa a liberar o vírus no ambiente.

 

TRATAMENTO

Há vários tratamentos experimentais sem sucesso garantido. Mesmo o tratamento funcionando não há garantias de cura total, e a ave pode se tornar portadora e atuar disseminando o vírus.

 

3 - DOENÇA DE BICO E DAS PENAS (CIRCOVÍRUS)

 

O vírus que causa a doença do bico e da pena dos psitacídeos (PBFD) é um circovírus membro da família de Circoviridae. A estrutura molecular do genoma deste vírus é um DNA circular de cerca de 2.000 bases de fita simples, não envelopado. O vírus PBFD tem uma forte semelhança com o Circovírus Suíno, bem como com vários vírus de plantas, como o vírus Banana.

Acredita-se causar a doença especificamente em todas as espécies de psitacídeos, as quais devem ser consideradas suscetíveis. Psitacídeos do Velho Mundo aparentam ser mais susceptíveis ao PBFD, mas no momento, inúmeras aves brasileiras têm sido diagnosticadas com o PBFD, o que é muito preocupante.

O circovírus PBFD pode causar infecções fatais, principalmente em aves jovens. Aves mais velhas podem superar a doença após o primeiro contato, mas acredita-se que estas aves sobreviventes se tornam portadoras, capazes de liberar o vírus no ambiente e contaminar outras aves. Há pesquisadores que acreditam que uma porcentagem de aves é capaz de erradicar totalmente a doença de seu sistema, criando uma imunidade natural.

O vírus que causa o PBFD também pode afetar o fígado, o cérebro e o sistema imunológico, causando menor resistência a infecções. Consequentemente, a maioria dos problemas decorrem de outras infecções (bacterianas, fúngicas, parasitárias ou virais secundárias).

 

TRANSMISSÃO

A transmissão do vírus ocorre principalmente por meio de contato direto, inalação ou ingestão de aerossóis, material fecal e poeira das penas. Também pode ser transmitido através de superfícies contaminadas, como caixas de transporte, utensílios de alimentação, comedouros e bebedouros, roupas e ninhos. Por ser um vírus não envelopado, esse vírus é resistente a um grande número de desinfetantes e as partículas virais podem permanecer viáveis ​​no ambiente por meses, muito tempo depois que a ave infectada tiver desaparecido.

 

SINTOMAS

Os sintomas incluem perda progressiva e irreversível das penas, atrofia das penas em crescimento, desenvolvimento de penas anormais (cor e forma). Outros sintomas possíveis incluem o crescimento anormal e ulceras no bico. Ocasionalmente, também há deformidades e crescimento das garras. A imunossupressão, perda de peso e apatia severa também são encontradas em estágios posteriores da doença. Observamos várias aves que morreram com uma anemia intensa, positivas para este vírus.

As infecções secundárias, virais, fúngicas, bacterianas ou parasitárias ocorrem frequentemente como resultado da diminuição da imunidade. Mudanças importantes em hemograma também são observadas, como anemia severa e alterações em número de leucócitos.

Este vírus deve ser considerado em qualquer ave que sofra de perda ou desenvolvimento anormal de penas. Sabemos que este circovírus não afeta todas as penas simultaneamente, sendo assim biopsias de pele podem ter um alto grau de erro. Há também aves infectadas e doentes com as penas normais, portanto, o teste através da PCR é o método mais eficaz disponível para a detecção do vírus em aves, antes mesmo do desenvolvimento de lesões de penas e bico.

Algumas aves infectadas com o vírus não desenvolvem nenhum sinal clínico, as quais podem desenvolver uma resposta imunológica suficiente para combater a infecção, por isso é indicado testar novamente a ave após 30 e 90 dias. Portanto, recomenda-se testar novamente todas as aves após a conclusão do teste inicial. Se as amostras permanecerem positivas, a ave deve ser considerada permanentemente infectada e pode-se esperar que mostre sintomas clínicos da doença.

 

ATENÇÃO: Lesões em penas e bico são apenas parte dos sinais clínicos, exames radiológicos e de sangue devem ser realizados para melhor diagnóstico, se ave realmente não possui nenhum sinal clínico. Se há algum sinal clínico presente, não há necessidade de repetir o teste da ave e ela é considerada imediatamente positiva permanentemente.

 

TRATAMENTO

Após aparecerem os primeiros sinais clínicos não há mais tratamento. Para aves positivas e sem sinais clínicos há um tratamento possível, de difícil acesso e de alto custo que não é garantido. Há varias pesquisas sobre vacinas, mas até o momento nenhuma disponível comercialmente que seja eficaz no controle da doença.

 

4 - POLIOMAVÍRUS

 

O Poliomavírus Aviário (APV), é um membro da família do papovavírus, com diâmetro de 40-50nm, genoma de DNA de cadeia dupla envelopado.

É considerado uma das ameaças mais significativas para criadores em todo o mundo. Altamente infeccioso, afeta a maioria das espécies de psitacídeos, se não todas.

Causa maior impacto nas aves jovens, com idade entre 14 a 56 dias, os jovens morrem frequentemente, enquanto as aves adultas aparentemente desenvolvem um certo nível de imunidade. Acredita-se que o poliomavírus tenha um período de incubação de aproximadamente duas semanas ou menos.

 

TRANSMISSÃO

A doença pode se espalhar de um pássaro para outro através de poeira de penas, fezes, aerossóis e alimentação dos filhotes pelos pais. O APV também pode ser transmitido por contato direto ou contato com ambientes infectados (incubadoras, caixas-ninho, etc.).

 

As aves que estão infectadas, mas não apresentam sinais óbvios de infecção, são muitas vezes responsáveis ​​pela propagação do vírus para um aviário ou loja de aves. Aves adultas que sobreviveram à infecção inicial se tornam portadoras e ajudam a espalhar o vírus.

 

SINTOMAS

Os sintomas incluem abdómen inchado, depressão, perda de apetite, anorexia, perda de peso, esvaziamento tardio da cultura, regurgitação, diarreia, desidratação, anomalias das penas, hemorragias subcutâneas, dispneia, poliúria, ataxia, tremores, paralisia e morte aguda.

Muitas aves jovens com menos de 12 semanas de idade morrem sem sintomas clínicos. Aves adultas podem morrer de infecção secundária por patógenos bacterianos, virais, fúngicos ou parasitários.

Isole todas as aves positivas para doença e desinfete todas as superfícies e objetos contaminados com o uso de um bom desinfetante. Nota: O álcool não funciona como um desinfetante, pois não é um oxidante.

Uma vacina está disponível, no entanto, esta opção pode custar até US $ 40-60 por ave. Além disso, doses de reforço são necessárias a cada ano e a eficácia da vacina em aves mais jovens está em questão.

Quarentena e testes virais de todas as aves novas é o melhor caminho.

 

5 – PARAMIXOVÍRUS

 

Assim como o herpesvírus, há vários tipos de paramixovírus que afetam diferentes grupos específicos de aves. Dentre estes, se destaca o paramixovírus do TIPO 1 que causa a Doença de Newcastle

Agressivo, o primeiro surto com o vírus da Doença de Newcastle ocorreu nos Estados Unidos em 1972, onde um criador de aves exóticas serviu como foco e espalhou a doença para galinhas de fazendas vizinhas. Neste caso, milhões de frangos morreram ou foram sacrificados como controle da propagação. Esse surto foi diretamente responsável pela adoção de sistemas de quarentena e testes virais para aves importadas.

 

TRANSMISSÃO

Com uma afinidade especial pelas células vermelhas do sangue, o vírus se espalha rapidamente por todo o corpo. Se espalha por fezes, descargas nasais, por contato direto, através do ar ou em itens contaminados, como roupas, alimentos ou comedouros infectados e gaiolas. O vírus pode penetrar em cascas de ovos, infectando o embrião.

Pode sobreviver por várias semanas em um ambiente quente e úmido e indefinidamente em material congelado.

 

SINAIS CLÍNICOS

O período de incubação é de 4 a 7 dias. Em geral, os sinais podem incluir corrimento ocular/nasal, dispneia e diarreia com sangue. Sinais do sistema nervoso central também podem ocorrer, incluindo depressão ou excitação, problemas vestibulares, falta de equilíbrio, tremores (especialmente da cabeça e pescoço), fraqueza e paralisia parcial ou total.

Pode também ocorrer morte súbita. Os sinais vão variar dependendo do tipo de vírus e da espécie da ave.

 

ATENÇÃO: É uma doença de notificação compulsória. Uma vez confirmado o diagnóstico, será recomendado a eutanásia e descarte de aves infectadas.

 

TRATAMENTO

Não há tratamento ou vacina para psitacídeos. Infelizmente, o prognóstico para esta doença é pobre, com quase 100% de mortalidade, uma vez infectado.

 

6 - POXVÍRUS

 

A bouba ou varíola aviária é uma doença viral das aves causada por um membro da família dos poxvírus. Encontrada em um grande número de famílias de aves, acometendo um grande número de espécies. O poxvírus é espécie específico, ou seja, cada cepa infecta uma determinada espécie ou grupo de aves. No entanto, sabe-se que estas cepas podem sofrer mutações e passam a infectar novas espécies.

 

TRANSMISSÃO

A transmissão do vírus pode ocorrer por contato direto entre as aves, aerossóis e objetos contaminados, mas a forma mais comum de transmissão é feita através de mosquitos. O poxvírus é muito resistente no ambiente, podendo sobreviver por anos, abrigado em crostas de feridas secas ou em matéria orgânica contaminada.

 

SINAIS CLÍNICOS

É uma doença de desenvolvimento lento que geralmente causa lesões cutâneas moderadas eu dependendo da gravidade podem causar a morte da ave. Estas lesões em pele ocorrem nas regiões sem penas na face, pernas e pés. Porém, quando afeta também as mucosas da cavidade oral ou do trato respiratório, a situação é grave e muitas vezes fatal.

Existem três formas clínicas diferentes da doença: A forma cutânea, caracterizada por lesões em pele, a forma diftérica, causando lesões na mucosa do trato oral ou respiratório e forma septicêmica (generalizada), comum em canários, causando depressão, anorexia e óbito na maioria dos casos.

A forma cutânea é caracterizada por lesões proliferativas, semelhantes a verrugas, nas partes não enoveladas da ave, como bico, pálpebras, narinas, pernas e pés. Sinais clínicos começam com um inchaço vermelho, formando bolhas, que posteriormente estouram e se tornam lesões ulceradas e contaminadas com fungos e bactérias oportunistas. Além da dor, em alguns casos, as lesões podem causar danos permanentes às áreas afetadas, incluindo cegueira, malformações de bico e perda de dedos e pés.

 

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico se baseia nos sinais clínicos, mas deve ser confirmado por biopsia de tecido afetado ou através de PCR.

 

TRATAMENTO

O tratamento é inespecífico e baseado em dar suporte (alimentação, fluidos, aquecimento, tratar infecções oportunistas) até que o sistema imunológico da ave responda à infecção.

As lesões geralmente são auto-limitantes, e a regressão das lesões geralmente ocorre entre 4 ou 6 semanas após o aparecimento dos primeiros sinais clínicos. Caso a ave sobreviva à infecção, acredita-se que a imunidade vitalícia ocorra para essa cepa do vírus, mas a ave se torna portadora e atua como reservatório do vírus.

Embora exista uma vacina para algumas cepas de poxvírus, lembramos que a vacina também acaba sendo espécie-específica. Vacina de galinhas ou canários disponíveis comercialmente não são eficazes para proteger psitacídeos

 

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